Vivo na construção
Investigação constante
Autônoma
De mim mesmo
Vivo na edificação
Inclusiva
Expansiva
Onde não há arquétipo
Mágico de transformação
Desenho técnico
Fórmula, formato
Modelo ou contrato
Na sintaxe do meu substrato
Espaço de sublimação
Vivo desenhando a mim mesmo
Na criativa originalidade
Reinventando a disposição
Na essencial autenticidade
Desimaginando a composição
Na busca da pura humildade
Me ponho em ação
.
Neste movimento
É preciso aprender a fazer da vida
Os seus objetivos profundos
Sem seguir como pau mandado
A opinião dos que te fazem imundo
Pleiteando seus adjetivos e predicados
Perdidos no seus amesquinhados mundos
Nem muito menos nos caprichos desvairados
Que te deixam moribundo
Sem sentido, desbundado
Desorientado, fremebundo
Do contrário, tendo claro para consigo
O legítimo princípio professado
Em motivo bem definido e alinhado
Prosseguindo, não como mero mortal
Automatizado
Despersonificado
Desalmado
Roubado de todo seu arsenal notório
Neste corpo que agora habita, desclassificado
De todo, ilusório, transitório
Mal-amado
Mas seguindo a flecha primordial
Do ser espiritual elevado
Desvendado
Desvelado
Do feliz
Inacabado
Que és
.
Mas o que é feliz?
.
Nada há aqui, porém, da felicidade do egoísta
Que só pensa em si e na sua realização exclusivista
Bancadas pelo ditado do custe o que custar
Mas da autorrealização não separatista
Que percebeu que tudo o que se exclui
Torna-se pesado fardo, malogrado
Um dardo contra si mesmo voltado
De efeito retardado
E que, cedo ou tarde
Terá que ser retratado
E na sua métrica
Desmesurado
Pois enquanto aprisionado
Jamais faz-se avaliado
Jogado na relva
Como pobre animal
Só lhe resta ser devorado
.
Copyright Flavio Graff