Sem Título

Há vezes que os caminhos escarpados 

São os únicos ao nosso redor 

Com a coragem necessária para apontar  

O sentido que há dentro de nós 

Há vezes que os caminhos encantados 

Nos desviam do sentido maior

Nos metamorfoseiam em imitações 

Mal transvestidas  

Psicopáticas de nós mesmos 

Disfarçadas de pura ventura

Perfumes de cristal que se partem sem exalar nenhuma propriedade singular 

Mas mesmo assim metidos de bravura

Escolhemos os atalhos achatados que nos parecem mais agradáveis ao olhar 

Meros simulacros de aventura

Mais leves ao luar 

E que não dão nenhum trabalho 

Tão suave é por eles caminhar 

Mas que só nos fazem em círculos girar

Rodando, rodando, rodando sem parar

Como cachorros correndo atrás do rabo 

Para a si mesmo abanar

Num circuito que desorienta os sentidos 

Nos distraindo os olhares a chorar

Com as mesmas condições milenares 

Onde, nos traindo de nós mesmos

Nos desencontramos extasiados a adorar

A beleza que se exibe ao redor 

Deixando a vasteza interior se ofuscar

Num displicente naufragar 

Jazendo adormecida cada um em seu lugar

Anestesiados com supostas riquezas exteriores 

Que nesse nos subjugar 

Sufocam o nosso valor  

E desapropriam todo nosso amor 

.

E, assim, despejados de nós mesmos 

Nem sequer podemos apreciar as potências embrionárias que esperam 

Por nossa voz lhes despertar

E, por fim, lhes vivificar 

.

Atenção, portanto, aos caminhos que escolhemos trilhar!

Como diria o mestre: o da porta larga 

Sempre parece mais fácil 

Mas nem sempre é o que mais me convém 

Porém, muita atenção também ao trilhar por entre as escarpas 

Para não usá-las como autoflagelação

Disfarçadas de prazer e ilusão

.

Vejamos agora o que viemos aqui refletir 

E só assim o poema poderá em você agir

.

Copyright Flavio Graff

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